Abordagens Sociológicas dos Processos Saúde-Doença.

Descrição

Esta linha de pesquisa parte do pressuposto epistemológico de que os processos saúde-doença condensam e expressam um complexo entrelaçamento de dimensões biológicas, históricas, socioculturais, econômicas e políticas que, por sua vez, refletem e, ao mesmo tempo, repercutem tanto nos planos macroestruturais da sociedade (condições materiais de existência) quanto nas esferas subjetivas e simbólicas com que cada sujeito social apreende os fenômenos relativos ao corpo, saúde e doença. Assim, esta ampla linha de pesquisa pretende contribuir para a discussão e o fomento de construções interdisciplinares do conhecimento em saúde, no âmbito da Saúde Coletiva, sob a perspectiva da abordagem conceitual e metodológica das Ciências Sociais.

Temas de pesquisa:

1 - Gestão dos limites da vida: autonomia e saúde;

Trata-se de refletir sobre questões associadas às diferentes formas e possibilidades de autonomia do sujeito, em diversas situações vinculadas à saúde, como: o crescente domínio e penetração dos saberes, das práticas e tecnologias médico-científicos; a genômica e suas possibilidades de aperfeiçoamento do corpo; o suicídio; na gestão do último período de vida, em face de doença crônico-degenerativa. Em tais condições, o processo de tomada de decisões referentes ao corpo, ao sofrimento e à vida/morte, é de fundamental importância, bem como a atuação dos atores sociais envolvidos – profissionais de saúde, do direito, doentes e familiares. Esses atores sociais, suas interações e as diferentes possibilidades de atuação e agenciamentos também constituem objeto de investigação. 

 2 - Racionalidades, intervenções científicas e tecnológicas em saúde;

Estudos que problematizam a clássica dicotomia entre natureza (ciências naturais) e cultura (ciências sociais e humanas) e suas implicações para a produção do conhecimento e intervenções em saúde; estudos sobre técnicas de diagnóstico (testes genéticos, diagnóstico por imagem) e de tratamento (tecnologias reprodutivas, indústria farmacêutica). O objetivo é analisar os significados e efeitos destas intervenções sobre a esfera do íntimo, a ressignificação do processo saúde/doença, da relação médico/paciente, a interação entre essas novas tecnologias e práticas locais em saúde, a reconfiguração de noções sobre o corpo, corporalidade, ou a articulação entre desigualdade e subordinação na comercialização dessas tecnologias bem como na implementação de novos programas e políticas de saúde referente ao tema. Assim, busca-se contextualizar empreendimentos científicos em um campo político, cultural e social e analisar criticamente saberes e práticas que o constituem, mediante o estudo da produção de racionalidades, biotecnologias e artefatos científicos no campo da saúde.

 3 - Acesso à saúde: vulnerabilidades, direitos e sociedade;

A partir da noção de acesso à saúde busca-se investigar a produção social das demandas de cuidado em saúde, suas apreensões e repercussões na sociedade, nas instituições e nos indivíduos; em uma perspectiva interdisciplinar e crítica no âmbito da saúde coletiva. A perspectiva de investigação abrange, entre outros, os seguintes temas: sistema de justiça; direitos humanos; políticas sociais, práticas em saúde (prevenção, promoção, assistência); vulnerabilidades; advocacy. E tem desenvolvido estudos sobre judicialização da saúde, saúde e cidadania de populações específicas (transexuais, intersexuais, mulheres, adolescentes, homens); saúde sexual e reprodutiva (HIV/AIDS, DST, contracepção); itinerários terapêuticos e vulnerabilidades no acesso à assistência na perspectiva do direito à saúde.

 4 - Corpo, sexualidade, gênero, reprodução e saúde

Estudos que analisam os aspectos socioculturais da construção do gênero, da sexualidade, do corpo e da reprodução, os quais organizam as representações, práticas e experiências de diferentes grupos sociais em sua relação com o processo de saúde e doença, medicalização e as trajetórias dos sujeitos nos sistemas de saúde. Trata-se, assim, de analisar e compreender de que forma gênero e sexualidade se articulam contextualmente a outros marcadores sociais (classe social, geração, raça/cor), produzindo modos singulares de vivenciar e perceber os fenômenos da saúde e da doença e as práticas terapêuticas. Neste contexto, inserem-se estudos sobre a produção de moralidades e bioidentidades de indivíduos e grupos com diferentes problemas de saúde (HIV, alcoolismo, dentre outros); estudos sobre os desafios das políticas de atenção integral à saúde da mulher e de adolescentes, no que se refere aos temas da gravidez na adolescência, da contracepção, do aborto e da contracepção de emergência.


Docentes participantes da linha de pesquisa